
Circo - 2001
Naquele dia talvez estivesse mais emotiva do que o normal e por isso uma conversa, absolutamente banal, despertou nela uma tristeza que transbordou em lágrimas, teimosas, desobedientes à sua ordem de recolher.
À sua frente estava sentado um casal de meia idade, dividindo um lanche, à espera do início do filme. Entre uma mordida e outra em seu sanduiche, o homem disse:
- Toda vez que como este sanduiche lembro daquela viagem que fizemos para...
Parou de ouvir a conversa e começou a pensar em como seria bom ter alguém para conversar e lembrar de momentos vividos juntos, alguém que a compreendesse e estivesse disposto a ouvir com atenção, relembrar detalhes, sabores, cores, cheiros, experiências, descobertas...
Nesse ponto seus olhos começaram a exprimir em lágrimas os seus pensamentos e por alguns instantes desejou envelhecer ao lado de alguém.
Mesmo após duas tentativas fracassadas, ainda espera pelo homem que a levará ao cinema e comentará sobre aquela viagem...
Pra Rua Me Levar
Ana Carolina e Totonho Villeroy
Não vou viver, como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho onde eu vou
As vezes ando só, trocando passos com a solidão
Momentos que são meus, e que não abro mão
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar, e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora
Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
Eu vou lembrar você
É mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz e que ainda não cumpri
Palavras me aguardam o tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar, e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora...







