Picasso: neoclássico, cubista, surrealista, ceramista, gravador, escultor, soberbo desenhista, efervescente, exuberante, triste, carrancudo, financista astucioso, sedento de publicidade, o espanhol em combustão permanente, o brincalhão e inventor de charadas, generoso, autor teatral... todas estas características e qualidades estão citadas no artigo Picasso (1881-1973) do livro Experiência Crítica que reune textos de Ronaldo Brito, organizados por Sueli Lima. Esse artigo é um retrato de Picasso, e traz informações que só me fizeram admirá-lo ainda mais:
- sua obra pictórica está incluída no catálogo feito por Christian Zervos com 10 mil ítens, mais 3 mil desenhos , não incluídos, doados a Barcelona, e ainda há a reserva pessoal do pintor, avaliada em 3 mil telas;
- o cálculo de sua produção média anual era de 200 telas, produção que foi respeitada até seus últimos 12 meses de vida;
Diante disso, não sei o que dizer dos pintores que limitam sua produção para manter em alta o preço de suas telas através do controle da oferta x demanda.
Picasso disse um dia: "Pintar é meu hobby. Quando acabo de pintar, pinto de novo para descansar".



Também no livro de Ronaldo Brito se encontra a citação de um texto produzido por Robert Hughes, da revista Times, numa matéria de capa que celebrou os noventa anos do mestre. Nele Robert imaginou o que dava a impressão de ser um dia de rotina na vida desse homem imprevisível:
"Supõe-se que tudo deva começar com um luminoso breakfast de testículos de bode. A seguir, cercado por um rebanho de admiradores e domésticos pombos, ele desce ao estúdio e produz trinta gravuras, dois murais e uma natureza-morta. No almoço, depois de um sapateado diante dos ávidos repórteres de uma equipe da Paris Match, ele ensina ao toureiro Dominguín alguns segredos da arte de demolir um touro. Agora é a vez da olaria, de onde, 83 vasos de cerâmica depois, Picasso convoca seu chofer e sai para capturar três virgens na praia. Elas são defloradas durante a siesta e retiram-se gorgeando graciosamente para escrever suas memórias.
Restaurado, o mestre enche o tempo monótono de espera do jantar com uma dúzia de retratos. A omelete palpita sob seu garfo incapaz de deduzir sua própria sorte. Ela também será convertida num "Picasso". Um silêncio verde e noturno reina no jardim, quebrado apenas pelo clamor surdo de milionários gregos entupindo a caixa de cartas de Picasso com notas de mil dólares na esperança de que ele assine uma delas. Mas o dia terminou..."
É o cara!



















