Olho para fora
Para ver o que vai dentro
Vejo as luzes se acenderem
Aos poucos
O azul escurecer
E a noite
Sem aviso
Cair sobre a cidade
Que dorme inocente
Sem saber das dores
Sabores e dissabores
Que carrego
Como anzóis
Presos à pele nua
O Dia Internacional da Mulher foi criado em homenagem a 129 operárias que morreram queimadas em consequência de uma ação policial para conter uma manifestação numa fábrica de tecidos.Essas mulheres pediam diminuição da jornada diária de trabalho de 14 para 10 horas e o direito à licença maternidade.
Isso aconteceu no dia 08 de março de 1857, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Desde então, essa data tem servido de referência para homenagear as mulheres de todo o mundo em sua luta de seus direitos e dignidade pessoal, social e profissional.
Hoje, 08 de março de 2010, dia intenacional da mulher, resolvi homenagear as mulheres postando esse trabalho e a traduçãode uma música que eu gosto muito e que fala um pouco do universo feminino.
SHE
Elvis Costelo
Ela talvez seja o rosto que não consigo esquecer
Um rastro de prazer ou de arrependimento
Talvez seja meu tesouro ou o preço que
Eu tenho de pagar
Ela talvez seja a música que o verão canta
O arrepio que o outono traz
Talvez seja cem coisas diferentes
No decorrer de um dia
Ela talvez seja a bela ou a fera
A fome ou o banquete
Talvez transforme cada dia em um paraíso ou em um inferno
Ela talvez seja o espelho de meus sonhos
O sorriso refletido em um rio
Ela talvez não seja o que parece
Dentro de sua concha
Ela que sempre parece tão feliz na multidão
Cujos olhos podem ser tão discretos e orgulhosos
Ninguém pode vê-los quando choram
Ela talvez seja o amor que não pode ter esperança de durar
Talvez venha a mim das sombras do passado
Das quais me lembrarei até o dia em que eu morrer
Ela talvez seja a razão pela qual eu sobrevivo
O porquê de eu estar vivo
Aquela que eu protegerei nos anos bons e ruins
Eu pegarei seu riso
E suas lágrimas
E farei deles minhas recordações
Aonde ela for eu tenho de estar
O sentido da minha vida é ela
Parece irónico falar de Matisse, apelidado o mestre da cor, mostrando uma fotografia a preto e branco. Durante toda a sua vida o pintor dedicou todos os seus esforços a trabalhar a cor - eu sinto através da cor, terá dito. Descobriu esta sua vocação quando lhe ofereceram uma caixa de cores para se entreter durante a convalescença de uma operação ao apêndice, tinha então 20 anos. Na época de convulsões e temores que atravessou, paradoxalmente pintou a alegria, a beleza e a harmonia. Ao longo de anos captou estes temas no papel através do desenho que depois preenchia com cores lisas e vibrantes.
Em 1941 é-lhe diagnosticada uma doença incurável que o vai incapacitar cada vez mais para a pintura, ele que riscava directamente nos grandes espaços com o pincel! Matisse não se conforma com a sua incapacidade. Descobre então um novo meio de expressão ao seu alcance: o recorte. Nas suas mãos, a tesoura desenha linhas ondulantes em papeis previamente coloridos com guache. O artista prescinde do desenho e desenha directamente na cor. O resultado é surpreendente... Frequentemente deitado ou numa cadeira de rodas, o velho doente arranjou uma maneira de contrariar o destino e, ainda assim, atingir o ápice da sua carreira - a síntese das sínteses!
Divertimento de um velho paralítico, crepúsculo de um Deus, frivolidades infantis... que interessa? As formas recortadas de Matisse são diferentes de tudo o que até então se vira. Não são as colagens cubistas, o vocabulário abstracto de Kandinsky nem os signos biomórficos de Jean Arp. São um constante regresso à infância, como disse Baudelaire sobre o Génio. Em 1947 publica uma colectânea destes trabalhos a que chama sintomaticamente "Jazz - improvisos cromáticos e cadenciados". Improvisos semelhantes aos que executaria Charlie Parker no saxofone...
A tristeza do rei (1952) terá sido a sua última realização, o adeus à vida, às coisas do mundo que o rodeia e a tudo o que lhe era querido, reunindo tudo nesta obra derradeira como que para se fazer enterrar com ela, à maneira dos faraós do antigo Egipto. O rei, vestido de negro com uma viola na mão, seria o próprio Matisse.
Tristeza do Rei (1952)
Para Matisse
Matisse
Matinasse
Para ver o sol nascer
Matisse
Materializasse
Só se fosse a cor
Matisse
Matizasse
Todo um arco-íris
Matisse
Mitigasse
A fome de beleza
Matisse
Motivasse
Os olhares indiferentes
Matisse
Matisse
Para encantar os mortais