sexta-feira, 11 de março de 2011

Arte em Construção





Arte em Construção

Essa expressão me ocorreu olhando para o quadro inacabado. É também o título de duas exposições promovidas por Edson Calmon. Eu participei de uma delas e a história desse nome é interessante.

Edson ministrava seu curso de arte nas instalações do Espaço Oikos, que se encontrava em fase de ampliação. Havia portanto uma espécie de sala / galpão onde eram visíveis os sinais da reforma, com material de construção espalhado pelo chão e paredes inacabadas.

Pois bem, Edson com sua mente brilhante e criativa, resolveu fazer uma exposição dos trabalhos de seus alunos nesse espaço, fazendo um link entre a construção civil e a construção das obras de seus “discípulos”. Nasceu assim a exposição Arte em Construção I:



Painel na entrada da "galeria"



Detalhe do painel



Edson e sua lendária calça e sapatos pintados


Arte em Construção II ocorreu no Espaço do Artista, desta vez numa galeria “tradicional”. Olhem aí minha parede com meus três Picassos, Mulheres de Abril, Barcelona, Madri e Penso, Logo, Flutuo:






domingo, 27 de fevereiro de 2011

Edward Hopper





Edward Hopper
People in the Sun



“O grande homem é aquele que, no meio da multidão, mantém com perfeita doçura a independência da solidão”.

Ralph Waldo Emerson


“O começo e o fim de toda atividade literária é a reprodução do mundo que me cerca por meio do mundo que está dentro de mim”.
Goethe


Essas duas frases estão numa matéria da Veja sobre Edward Hopper. A primeira é de um ensaio que ele lia todos os dias e a segunda de um verso que carregava na carteira. Imagino que estas duas afirmações deviam servir para ele como um tipo de lembrete, de norte, de mapa ou bússola, ou talvez fossem a descrição do que ele acreditava e orientava sua produção.

Segundo a mesma matéria, Hopper retrata a solidão, a melancolia da existência em suas telas. Eu, quando olho um quadro de Hopper tenho a sensação de um momento suspenso no tempo, as imagens que retratam cenas banais do cotidiano transmitem uma estranheza difícil de descrever. Suas paisagens, interiores e exteriores são normalmente habitadas por uma pessoa apenas, quando aparecem mais pessoas é como se não houvesse possibilidade de comunicação entre elas, como se fossem estranhas umas às outras, como se cada uma estivesse imersa no seu próprio mundo.

Gosto muito dos trabalhos de Hopper, das cores, da luz, da atmosfera às vezes opressiva de solidão que me corta a respiração, mas que ao mesmo tempo instiga e faz imaginar o que suas personagens carregam dentro de si.

Pois bem, lendo essa matéria me lembrei de uma grande amiga, artista talentosa, que recebeu de um amigo a encomenda de reproduzir um trabalho de Hopper. Ele tinha uma gravura que havia perdido as cores com o passar do tempo e como gostava imensamente da obra e do pintor, solicitou a minha amiga que fizesse para ele uma cópia do quadro.

Ressalte-se que, obviamente, não se trata de uma falsificação, as cores são outras, a técnica completamente diferente, assim como os materiais utilizados. Pois bem, ela aceitou o desafio e produziu um trabalho belíssimo que quero mostrar aqui. O nome da artista? Leda Farias, de quem tenho orgulho de ser amiga e a quem quero dedicar este post e a minha admiração pela artista e pela mulher que ela é.




Leda Farias
Sem título


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Casulo





Minha casa
Meu castelo
As tábuas que forram o chão
já conhecem meus passos
A luz difusa que atravessa a cortina
Aquece o ar
Aquece o corpo
que derrete em lágrimas de sal
Miro o espelho
do espelho
que me espelha
Aconchego
Acolhimento
Abraço
Ovo
Útero
Desapareço


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Colagens


Colagem do meu imaginário




Colagem do meu iPod

"
Umbigo
Meu nome é umbigo
Gosto muito de conversar comigo

É impossível ser feliz sozinho

Solidão não cura com aspirina

Nós já temos encontro marcado
Eu só não sei quando
Se daqui a dois dias
Se daqui a mil anos

Não quero medir a altura do tombo
Nem passar agosto esperando setembro

Teus sinais me confundem
da cabeça aos pés

Mas se eu digo venha
Você traz a lenha
Pro meu fogo acender

Meu mundo você é quem faz
Música, letra e dança

Às vezes no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois

Quando um certo alguém
Desperta um sentimento
É melhor não resistir

Procurei uma saída
O amor não tem

É só pensar em você 
Que muda o dia

Eu preciso respirar o mesmo ar que te rodeia

Um sol eu sou
Para o seu mar
Oh! meu amor

Sou um velho diário perdido na areia
Esperando que você me leia

Eu nunca mais vou respirar
Se você não me notar

Vamos fugir

A curiosidade de saber
O que me prende
O que me paralisa
Serão dois olhos negros como os teus
Que me farão cruzar a divisa

Se eu descer
Você suba aqui no meu pescoço
Faça dele seu almoço

Por você
Eu dançaria tango no teto

Meu bem você me dá água na boca

Mentiras sinceras me interessam

A conversa está boa
Mas está terminada


"

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Procura-se



2010 não foi um ano ruim. Em alguns aspectos, foi ótimo. Poderia ter sido fechado com chave de ouro, não fosse o  e-mail recebido da Galeria onde estávamos (eu e Ivonete) pleiteando pauta para uma exposição no próximo ano. Nosso projeto não foi selecionado, sob a alegação de que: “ Em decorrência do número limitado de pautas, sua proposta para ocupação da galeria não foi selecionada para o ano de 2011.”

Que pena, o ano de 2011 começa com a procura de outro espaço para mostrar o trabalho produzido neste ano que se finda. Como escrevi em outra oportunidade: caio, levanto, volto a caminhar, apesar de não considerar este acontecimento propriamente uma queda, vejo-o mais como um pequeno, pequeníssimo, acidente de percurso.

Determinados espaços da cidade, em virtude das vantagens que oferecem, são muito procurados e como na Bahia há um excesso de artistas, como se diz por aí, baiano não nasce, estréia (acho que essa palavra perdeu o acento), é claro que não há lugar para todos.

Tínhamos muita confiança na qualidade do nosso trabalho e não termos sido selecionadas foi uma balde de água fria em nossas pretensões, que não são grandes no final das contas. Resta-nos, portanto, buscar outro espaço por aí que nos acolha.

Aproveito a oportunidade para desejar a todos um feliz final de ano e um 2011 pleno de saúde, felicidade e muitas realizações.

Um forte, apertado e afetuoso abraço em cada um que acompanha meu percurso e me proporciona tanta felicidade ao deixar neste espaço mensagens tão carinhosas e motivadoras.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Detalhe II





...

Meu olhar busca aflito
a serenidade do encontro
O espelho me devolve
a turbulência da dúvida
O infinito não me preenche
O vazio transborda
Negro como a escuridão
de uma noite sem sonhos

...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Pintura

Do livro Relâmpagos [dizer o ver] de Ferreira Gullar, páginas 142-143.
  

Carlos Bracher
Natureza-morta com copos de leite e violino 

PINTURA

Eu sei que se tocasse
com a mão aquele canto do quadro
onde um amarelo arde
me queimaria nele
ou teria manchado para sempre de delírio
a ponta dos dedos

Ferreira Gullar