quarta-feira, 18 de maio de 2011

Um exemplo a ser seguido

Sempre vejo o jornal na TV, antes de sair para trabalhar. Quase sempre notícias ruins, de crimes terríveis, desvio de verbas públicas, corrupção, homens bomba... Hoje foi diferente, fiquei agradavelmente surpresa com a notícia que reproduzo a seguir:


"Penitência de padre no interior de Goiás é plantar sementes na cidade

Em Pires do Rio, não basta rezar. Toda vez que os fiéis saem do confessionário têm uma tarefa: cuidar do meio ambiente.


No Brasil, não se fala em outro assunto em uma cidade do interior de Goiás. O padre que dá uma penitência diferente. Em Pires do Rio, 240 quilômetros ao sul de Brasília, quem se confessa recebe como penitência refazer a criação devastada plantando uma árvore.
Nada de orações, que Deus não deve gostar de adulação, e sim plantar uma árvore que se eleva em direção aos céus. A cidade foi arborizada pelos pecados que foram enterrados.
Depois do pecado, vem o arrependimento. Mas é só perguntar ao padre como pedir perdão. Em Pires do Rio, não basta rezar. Na Igreja Matriz do município, toda vez que os fiéis saem do confessionário têm uma tarefa: cuidar do meio ambiente.
“A penitencia é esta: pegar a semente de uma árvore nativa para que, plantando desta semente e cuidando dela, nós possamos ver o dia de amanhã melhor”, afirma o frei Sebastião Queiroz.
O frei Sebastião Queiroz dá a mesma penitência para todos. Não importa a gravidade do pecado. Não se fala em outra coisa na cidade. “É uma penitência surpreendente, porque normalmente pensa em penitência como uma punição”, comentou uma jovem.
Como ninguém está livre do pecado, tem bastante muda espalhada pela cidade. “Vai expandir tanto o plantio das árvores que a cidade vai ficar toda arborizada”, acredita a jornalista Divina Neusa."

Não lhes parece um exemplo a ser seguido. Eu adorei!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Tanta Cor




Tela doada ao Grupo Esperança,
 para bingo beneficente


Tanto

Tanto fogo, para tão pouca água
Tanta paixão, para tanta ausência
Tanta cor, para tão pouca luz
Tanta sombra, para o meu coração cansado
Tanto azul em um céu sem nuvens
Tanto mar, tanto ar
Tanta escuridão em meus olhos
que buscam a luz dos teus
Tanto amor que teima e resiste e espera
Se eu fosse um ET
Abduzia você


sábado, 30 de abril de 2011

Enfim Exposição




Uma galeira à espera de nossas pinturas

colagem criada em 29.04.2011
para este post

Finalmente Ivonete e eu conseguimos um espaço para fazer nossa exposição de 2011. Trata-se da Galeria do Conselho, anexo do Palácio da Aclamação, belo espaço localizado em Salvador, no Campo Grande:



Palácio da Aclamação


A seguir, o release da exposição. Em breve, convite para todos os apaixonados por arte.



Exposição “Solitudes” na Galeria do Conselho

A Galeria do Conselho de Cultura da Bahia promove no dia 08 de julho de 2011, às 19h, a abertura da exposição “Solitudes”, projeto das artistas Lucia Alfaya e Moniz Fiappo.

A mostra reúne obras em técnica mista sobre tela, fruto do trabalho desenvolvido no período 2010-2011.

Lucia Alfaya é natural de Salvador e começou sua carreira artística em 2000 quando iniciou seus estudos na Escola Caminho das Artes. Desde então tem participado de diversas exposições coletivas e teve um trabalho selecionado no VII Salão Bahia Marinhas em 2009.

Na atual série de trabalhos, Lúcia Alfaya reflete sobre a solidão do homem pós-moderno, nutrida pelo medo da violência e facilitada pelas conexões virtuais que promovem e multiplicam as relações sociais mas, ao prescindir da presença física, isolam e exacerbam  o individualismo do homem contemporâneo.

A artista retrata personagens solitários, em cenários assépticos, eles podem estar olhando para dentro ou para fora, não se sabe pois não possuem rosto, são anônimos como a solidão que os consome.

Moniz Fiappo é natural de Santo Amaro, Recôncavo da Bahia, dedica-se a criar formas e linhas que explodem em cores, e utiliza-se nesta exposição de suportes tradicionais.  A variedade de formas geométricas é seu ponto forte. Participou de inúmeras exposições em Salvador, sendo a última na Galeria do EBEC.

A artista trabalha também com outros suportes sem entretanto fugir ao desenho  abstrato, pontuado por recortes que ajudam a compreender o casamento entre criação e matéria.

Desprezando rótulos ou padrões, introduz na criação aspectos/representações próximas do universo abstrato, mas o ritmo marcante, as linhas que induzem possibilidades manifestam, na escolha, seu profundo interesse pelo irreal.

O que:  Exposição “Solitudes” das artistas Lucia Alfaya e Moniz Fiappo
Onde:  Galeria do Conselho de Cultura da Bahia
Abertura: 08 de julho de 2011 às 19h
Visitação:  11 de julho a 08 de agosto de 2011, de segunda a sexta, das 09 às 17:30
Entrada franca

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Crônica da loucura



Voltou a malhar. Vai sempre que pode. Faz um esforço para ir pelo menos três vezes por semana. Sempre foi dada a rituais. Sentar na mesma cadeira, arrumar as coisas da mesma forma, andar na mesma esteira... Gostava de ficar em frente ao janelão que dá vista para o Parque da Cidade, lindo pedaço de mata atlântica que resiste espremido entre os prédios e a favela que o querem engolir. Fica olhando o céu, as nuvens, aproveitando a brisa que bate vez em quando, todos os matizes de verde que as árvores oferecem ao entardecer. Bem na sua frente, na altura dos seus olhos, firmemente fincada no chão fica uma bela e frondosa mangueira. Ao longo do ano acompanha a floração, os frutos aparecerem e crescerem, até que surgem os predadores jogando paus, pedras e futucando com vara a pobre árvore, que outra alternativa não tem a não ser ir derribando as mangas que vão ser consumidas, se maduras, ou deixadas ali mesmo no chão se não estão no ponto. Pois bem, olhando para aquela árvore, a música nos ouvidos, o pensamento vagando, notou que havia um vazio na folhagem, mais ou menos no meio da copa, como um nicho na escura massa de folhas. Pensou em como seria fácil alguém instalar-se ali e ficar quase invisível aos olhos dos inocentes passantes. Viu um vulto escuro, que se movia ao sabor do vento e do sol que entrava pelas frestas, um atirador de elite mirando em sua direção, com uma arma daquelas dos filmes de espionagem, chegou a sentir a luz do laser vermelho em sua testa, entre os olhos e como em Matrix viu o fulgor do disparo, a bala vindo em sua direção, certeira, sem chance, mortal. Não esboçou nenhuma reação. Sabia tratar-se apenas de sua imaginação, não corria nenhum perigo, não tinha inimigos, ninguém que pudesse desejar sua morte. Racional, ficou pensando que a loucura deve ser assim, só que nesse caso a pessoa acredita, confunde realidade e imaginação, sente-se ameaçada, perseguida, tem que revidar à altura. Entra numa escola e mata. Os médicos justificam sua ação com base nas reações químicas que confundem seu cérebro e alteram sua percepção da realidade... Nasceu assim? Tornou-se assim? Vítima ou assassino frio? Para as famílias que perderam seus filhos nada disso importa, a dor, assim como a loucura, tolda a visão, confunde a razão. A dor da ausência, ao contrário das balas, mata lentamente, numa espécie de tortura e sofrimento que parecem não ter fim.


sexta-feira, 11 de março de 2011

Arte em Construção





Arte em Construção

Essa expressão me ocorreu olhando para o quadro inacabado. É também o título de duas exposições promovidas por Edson Calmon. Eu participei de uma delas e a história desse nome é interessante.

Edson ministrava seu curso de arte nas instalações do Espaço Oikos, que se encontrava em fase de ampliação. Havia portanto uma espécie de sala / galpão onde eram visíveis os sinais da reforma, com material de construção espalhado pelo chão e paredes inacabadas.

Pois bem, Edson com sua mente brilhante e criativa, resolveu fazer uma exposição dos trabalhos de seus alunos nesse espaço, fazendo um link entre a construção civil e a construção das obras de seus “discípulos”. Nasceu assim a exposição Arte em Construção I:



Painel na entrada da "galeria"



Detalhe do painel



Edson e sua lendária calça e sapatos pintados


Arte em Construção II ocorreu no Espaço do Artista, desta vez numa galeria “tradicional”. Olhem aí minha parede com meus três Picassos, Mulheres de Abril, Barcelona, Madri e Penso, Logo, Flutuo:






domingo, 27 de fevereiro de 2011

Edward Hopper





Edward Hopper
People in the Sun



“O grande homem é aquele que, no meio da multidão, mantém com perfeita doçura a independência da solidão”.

Ralph Waldo Emerson


“O começo e o fim de toda atividade literária é a reprodução do mundo que me cerca por meio do mundo que está dentro de mim”.
Goethe


Essas duas frases estão numa matéria da Veja sobre Edward Hopper. A primeira é de um ensaio que ele lia todos os dias e a segunda de um verso que carregava na carteira. Imagino que estas duas afirmações deviam servir para ele como um tipo de lembrete, de norte, de mapa ou bússola, ou talvez fossem a descrição do que ele acreditava e orientava sua produção.

Segundo a mesma matéria, Hopper retrata a solidão, a melancolia da existência em suas telas. Eu, quando olho um quadro de Hopper tenho a sensação de um momento suspenso no tempo, as imagens que retratam cenas banais do cotidiano transmitem uma estranheza difícil de descrever. Suas paisagens, interiores e exteriores são normalmente habitadas por uma pessoa apenas, quando aparecem mais pessoas é como se não houvesse possibilidade de comunicação entre elas, como se fossem estranhas umas às outras, como se cada uma estivesse imersa no seu próprio mundo.

Gosto muito dos trabalhos de Hopper, das cores, da luz, da atmosfera às vezes opressiva de solidão que me corta a respiração, mas que ao mesmo tempo instiga e faz imaginar o que suas personagens carregam dentro de si.

Pois bem, lendo essa matéria me lembrei de uma grande amiga, artista talentosa, que recebeu de um amigo a encomenda de reproduzir um trabalho de Hopper. Ele tinha uma gravura que havia perdido as cores com o passar do tempo e como gostava imensamente da obra e do pintor, solicitou a minha amiga que fizesse para ele uma cópia do quadro.

Ressalte-se que, obviamente, não se trata de uma falsificação, as cores são outras, a técnica completamente diferente, assim como os materiais utilizados. Pois bem, ela aceitou o desafio e produziu um trabalho belíssimo que quero mostrar aqui. O nome da artista? Leda Farias, de quem tenho orgulho de ser amiga e a quem quero dedicar este post e a minha admiração pela artista e pela mulher que ela é.




Leda Farias
Sem título


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Casulo





Minha casa
Meu castelo
As tábuas que forram o chão
já conhecem meus passos
A luz difusa que atravessa a cortina
Aquece o ar
Aquece o corpo
que derrete em lágrimas de sal
Miro o espelho
do espelho
que me espelha
Aconchego
Acolhimento
Abraço
Ovo
Útero
Desapareço